Inaugurado memorial no Lar Familiar da Tranquilidade

Reconhecimento e gratidão ao padre Fernando Abreu

“Fiéis à identidade do nosso até agora presidente, queremos, da mesma forma, reconhecer quem muito trabalhou, se sacrificou, se dedicou, no fundo se deu a esta casa, por isso inauguramos este memorial de reconhecimento e gratidão”. Foi com estas palavras que Tiago Vilaça justificou a decisão de erguer o memorial que pretende perpetuar a ligação do padre Fernando Azevedo Abreu ao Lar Familiar da Tranquilidade. A obra marca, desde a passada quinta-feira, o parque exterior da instituição, numa peça escultórica desenhada e concebida pela empresa local CDR.

Este momento deveria acontecer em abril, mais precisamente no dia um desse mês, o dia em que se assinalaram os 30 anos da abertura do Lar e os 20 da inauguração do Centro de Apoio/lazer António Martins Ribeiro, mas a pandemia de Covid-19 impediu que tal acontecesse.

Nesse dia era suposto também inaugurar a nova entrada do lar, a última decisão do padre Fernando antes de ser acometido pela doença. A inauguração e benção pelo arcebispo primaz de Braga, D. Jorge Ortiga, e pelo presidente da Câmara de Santo Tirso, Alberto Costa é uma obra que “marca a gestão do padre Fernando, pois apesar de parecer apenas cosmética, na verdade traduz-se em maior conforto e versatilidade no acesso de viaturas, nomeadamente ambulâncias, que passam a poder entrar num espaço coberto”.

O Lar nasce para “ajudar os mais desprotegidos e o Padre Fernando nunca deixou esquecer as pessoas que, de alguma forma, marcaram e marcam a vida da comunidade e aqui tem papel principal o benemérito António Martins Ribeiro”, lembrou o novo presidente, que recordou ainda que o “nascimento do Lar foi uma cruz pesada para o padre Fernando e não foi fácil a sua fundação, bem como a sua gestão ao longo de 30 anos, mas estamos orgulhosos do percurso feito”.

Desde o passado dia 26 que está a residir na casa restaurada de António Martins Ribeiro, imóvel desta IPSS, o local onde passará a viver. “Gostariamos que estivesse cá, fui visitá-lo e na sua verticalidade declinou o convite. Está bem e em paz, e foi fiel a si mesmo”, confidenciou Tiago Vilaça.

O carácter singular, peculiar até, do antigo pároco foi evidenciado por todos. 
Amigo de longa data, o padre Lino Maia fala em “personalidade impar”, alguém que “ama com quem está e continua a amar”. O presidente da CNIS, visivelmente emocionado, disse ter ficado “contente” por ter descerrado o memorial, juntamente com António Castro, o único utente da instituição ainda vivo desde a sua abertura.

O padre Fernando é alguém que tem “originalidade no modo de servir” disse D. Jorge Ortiga e uma pessoa “que trabalhou e que se sacrificou sempre com os outros”. O arcebispo de Braga visitou nesse dia o padre Fernando e disse ter ficado “tranquilo pois está onde quer estar e com boas condições”.

Honrado por estar presente nesta ocasião mostrou-se também Alberto Costa, para quem estar 40 anos à frente de uma paróquia “é muito difícil. Mais difícil é fazê-lo com a mesma qualidade, o mesmo fervor e a mesma dedicação”. “Ele fez sempre tudo nunca a pensar nele próprio, mas antes nos outros”, apontou o autarca lembrando o trabalho social, cultural e pastoral do sacerdote.