Padre Mário Rodrigues falou no Conselho Pastoral Paroquial

Vila das Aves reflete sobre vocações

O tema das vocações foi o tema de formação, da reunião do passado sábado, do Conselho Pastoral Paroquial (CPP) de Vila das Aves. O Padre Mário Rodrigues, diretor do Seminário de Nossa Senhora da Conceição e responsável pela pastoral vocacional na arquidiocese, foi o convidado que apontou a necessidade de os jovens se questionarem sobre o seu projeto de vida.

Esta terá sido a última reunião deste órgão com o padre Fernando Azevedo Abreu como pároco de Vila das Aves, já que se espera a nomeação de um novo sacerdote para servir esta comunidade, decorrente do pedido de dispensa do atual pároco, em virtude da doença oncológica diagnosticada.

Apesar de ser a última, esta sessão não deixou de trazer aquilo que foi uma imagem de marca nestas reuniões, ou seja, haver sempre um momento de formação para os conselheiros. Desta vez, o tema foi “o dom, o mistério e a grandeza da vocação”. O padre Mário Rodrigues diz que o nosso tempo é mais de fazer perguntas do que de obter respostas, sublinhado que a grande questão é “o que procuramos?”. Citando o Evangelho e a passagem de Jesus onde diz que “somos o sal da terra”, disse que o sal serve para dar sabor aos alimentos e ao nível da fé, devemos perguntar “a que quero dar mais sabor e força dentro de mim”, mas também o que quer “conservar”, e ainda o que pretende “derreter” ou “eliminar” para dar espaço “ao que vale a pena fazer crescer em mim”.
Dirigindo-se sobretudo aos responsáveis pelos grupos e movimentos ligados à juventude – catequistas da infância, adolescentes e jovens, além dos acólitos – o sacerdote questionou os paroquianos avenses se “sentem se somos sal na nossa comunidade?”. Citando o Papa Francisco, indicou que “a nossa vida não é nada se não for a exemplo de Cristo. O que faria Jesus se estivesse no meu lugar? Esta é a pergunta…”.

O responsável pelas vocações na arquidiocese falou na “cultura dominante do descartável” dos dias de hoje e da “falta de sentido de pertença a um lugar”, o que leva a termos uma geração “aparentemente hiper conetada, mas que a maior parte das vezes os leva a uma vida de prisão, isolados, descaraterizados e escravos do que os domina”. Por isso, é preciso fazer escolhas para o longo prazo, o que se pode definir como um “projeto de vida, que deve estar bem sustentado. É como uma casa, precisa de boas fundações e de uma boa base”.

E é na definição desse projeto, que surge o chamado discernimento vocacional, ou seja, “o processo em que a pessoa, em diálogo com o Senhor e na escuta do Espírito, chega a fazer as suas opções fundamentais. E isto não se aplica apenas a padres e freiras, mas a todos os cristãos”, enfatizou o também cónego na Sé de Braga. E surge o tema da sessão, pois a vocação é um dom, um mistério e um desafio para cada um.

Muitas vezes confunde-se a vocação de cada um com a sua profissão, sendo que uma coisa pode coincidir com a outra mas “é muito mais que isso”, pois a vocação estrutura toda a vida da pessoa e não apenas a profissional. Este “chamamento” é em primeira medida a sermos humanos, depois a sermos homens de fé e num terceiro estádio a sermos “homens de fé em Cristo”.

O nível mais elevado é quando temos isto em vocações específicas. Uma delas é o matrimónio, outra é o sacramento da ordem, com a vocação à vida consagrada, mas ainda há o chamamento laical, com o leigo consagrado. A ideia é “juntar as peças do puzzle”, de modo a encontrar a vocação de cada um.

“Adeus e até Deus”

Com o dia da cessação de funções do padre Fernando Azevedo Abreu como pároco de Vila das Aves cada vez mais perto, ele vai-se despedindo. No sábado fez a reunião do CPP mais alargada e além dos conselheiros estiveram os responsáveis da catequese, dos adolescentes e dos jovens. Aproveitou a altura para lançar mais um livro, o 18.º da sua autoria e o título é, no mínimo, apropriado.

Percebendo que a morte poderá estar mais próxima decorrente da doença oncológica diagnosticada e do tratamento em curso, deu o título ao livro de “Adeus e até Deus”. Mais uma vez o livro é uma coletânea dos artigos que mensalmente escrevia na página da internet na paróquia, mas que no artigo com o mesmo título do livro, publicado no início de maio, indicou ser o último.
de ser operado a um tumor cerebral maligno e nunca mais subiu ao selim, uma das suas grandes paixões. A capa, da autoria do avense Alberto José Herdeiro de Brito Gonçalves, inclui ainda notas musicais, outra das suas grandes paixões. Nota ainda para o título que, como indicou o autor da capa “pretende colocar Deus nas alturas e a frase é uma espécie de escada para subir até Deus, que se encontra envolto em luz”.

De referir a contracapa, onde surge o padre António Sérgio Gouveia Garcia Torres, natural de Vila das Aves, e que assinalará no próximo dia 15 de agosto as bodas de prata da sua missa nova, esperando o pároco que o seu sucessor ainda venha a tempo de condignamente assinalar festivamente a efeméride.
Celso Campos