Dr. Alberto Costa a horar com 11 padres

O Presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso (Dr. Alberto Costa, ver foto) em boa hora fez uma videoconferência (por skype) na manhã de quarta-feira, dia 25 de março de 2020, com estes 11 párocos, 4 deles da arquidiocese de Braga (Fernando de Azevedo Abreu, Manuel António Sá Lopes, José Carlos Sá e Nuno Vilas Boas) e 7 da diocese do Porto (Damião, Torres, Luís Mateus, Eugénio, Felisberto, Manuel Cantilal e Miguel Coelho).

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O neologismo horar (inventado pelo jesuíta Manuel Ferreira) por mim está intencionalmente aqui metido porque a referida videoconferência precisamente demorou uma hora e eu na minha intervenção disse que naquelas 11 precisas e preciosas horas portuguesas (doze italianas) o nosso querido Papa Francisco estava a rezar e tinha pedido para que em todo o mundo se rezasse o Pai Nosso (a oração que Jesus ensinou), pois neste dia acima referido a Igreja Católica liturgicamente celebra a Solenidade da Anunciação do Senhor; com a permissão do Dr. Alberto Costa todos ousada e humildemente o rezámos para pedir o fim desta pandemia do NOVO e malfadado coronavírus que apareceu na China no passado mês de dezembro de 2019 e que vertiginosamente contagiou todo o mundo, causando a morte a milhares de pessoas.

Eu, que me identifiquei como idoso (com 71 anos e onze meses de idade) e também como doente oncológico (assim biopsiado após ter sido urgentemente operado a um tumor cerebral, na terça-feira de tarde no dia 21 de janeiro próximo passado), senti-me feliz e até saciado quando ouvi o senhor Dr. Alberto Costa afirmar que a fé também é muito importante nesta séria guerra contra este desconhecido vírus pandémico; seja-me permitido agora acrescentar que o referido Manuel Ferreira também escreveu que o sofrimento ajuda a ter fé, mesmo que seja interesseira; mas a fé que cura pode não salvar, pois esta é teologal e escandalosamente pode salvar sem curar.

O solícito Presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso revelou este pormenor: até às zero horas, daquele dia da videoconferência, tinham ocorrido 11 casos positivos e desconcentrados de pessoas infetadas neste concelho; o Dr. Alberto Costa aconselhou que nos funerais seria bom que não estivessem mais de 15 pessoas e que fosse respeitada a necessária e obrigatória distância interpessoal; quanto à higienização dos lugares públicos (a cargo das Juntas de Freguesia), também incluiu as igrejas mas pediu aos párocos para confinarem espaços.

Não sendo eu responsável por aqui e agora registar as restantes intervenções, senti-me impelido a dizer via skype que nesta paróquia de São Miguel de Vila das Aves está a decorrer a Ano Jubilar do primeiro centenário da canonização da visitandina Santa Margarida Maria Alacoque que foi terapeuta (esta palavra significa etimologicamente próxima, serviçal, auxiliar do próximo) e por isso eu diariamente celebro a eucaristia (à porta fechada) como gratidão pelos benditos terapeutas ao serviço da saúde pública, e também pelos falecidos que não puderam ter eucaristia exequial.

Como nesta paróquia há duas IPSS canónicas, eu alertei para a “delonga e constante alteração às diretrizes legais e de saúde” (o aspado foi emitido pela nossa UDIPSS do Porto, em correio eletrónico na tarde do dia 24 de março de 2020); portanto, o que presentemente esteja a ocorrer no Lar Familiar da Tranquilidade (onde eu suspendi toda a minha responsabilidade no dia anterior à operação cirúrgica) e no Patronato e Casa dos Pobres de S. Miguel das Aves (cujas respostas sociais ficaram profilaticamente encerradas no dia 19 de março de 2020) poderá estar a ser de dificílima gestão, mesmo eu sabendo da heroicidade dos diretores e dos trabalhadores em prol dos utentes; mas no pós-crise tudo isto, agora à mercê deste tempo de sobrevivência, irá dar muito que falar e laborar, pois teremos de reaprender a viver com menos direitos (ditos consagrados) e com mais deveres de simplicidade voluntária que é o alicerce de outros estilos de vida sustentáveis porque nos querermos bem uns aos outros.

Vila das Aves, 07/04/2020,primeira terça-feira do mês, ocorrida em plena Semana Santa que os crentes poderão viver embora obrigatoriamente confinados aos seus domicílios familiares, mas onde até devem ser grupos semeadores de esperança, ruminando mais e melhor a bíblica Palavra da salvação.

Padre Fernando de Azevedo Abreu