Três pausas musicais no Dr. Luís Américo Carvalho Fernandes

Quando eu tomei posse como pároco de São Miguel de Vila das Aves, em quatro de janeiro de 1981 (Domingo da Epifania do Senhor), já o Dr Luís Américo Carvalho Fernandes era o Diretor Artístico do Grupo Coral de Vila das Aves; jamais esquecerei o que me mandaram dizer a seu respeito quando eu então era somente professor de Religião e Moral na Escola Preparatória de Vila das Aves, desde setembro de 1980; quando o Dr Luís Américo, em setembro de 2019, me disse que tinha passado a direção artística do Grupo Coral ao Alexandre Martins, eu, como presidente da Mesa da Assembleia Geral, sinto-me agora impelido a escrever esta mensagem eletrónica com três pausas estritamente relacionadas com a sua melomania.

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Primeira: a música no Dr Luís Américo é constitutiva e ela biblicamente o transfigurou através de diferentes modulações: passivas, ativas e radiantes; este seu despojamento consentido e vivido é que fez a nossa assembleia dos fiéis mais feliz pela perpétua novidade da espiritualidade musical.

Segunda: o Dr Luís Américo Carvalho Fernandes foi grande educador e cultivador de bons gostos musicais, não só como diretor Artístico do Grupo Coral de Vila das Aves, mas como professor de guitarra na Oficina de Música, inicialmente criada com o nome de Escola de Música; consciente das fases da vida, ele educou a ver, a ouvir, a cantar e a criticar a música como algo estruturante da personalidade humana, sobretudo quando ela é praticada coesamente em equipa e afinada pelo ouvido mental.

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Terceira: Talvez por ser também inspirado poeta, o Dr Luís Américo Carvalho Fernandes sempre foi portador do sentido recôndito e orante da funcionalidade mística da música na liturgia; mas esta amplitude infinita faz-me lembrar o que João Gil disse quando compôs a Missa Brevis, interpretada pelo grupo Cantate: “inspirei-me na sensibilidade espiritual transmitida pela minha mãe e nos tempos de infância em que era acólito na Covilhã”. Ora eu não posso deixar de gratamente evocar a saudosa e santa Inês Azevedo que tantas vezes a visitei e lhe administrei os sacramentos; dela, sua mãe admirável e venerável, o Dr Luís Américo recebeu o “código genético cristão”, para usar a mesma expressão da célebre ex-Trovante e Ala dos Namorados.

A foto nº1 aqui publicada foi tirada no domingo de Cristo Rei, em vinte e quatro de novembro de 2019, aquando do Encontro de Coros Litúrgicos, na igreja matriz de São Mateus de Oliveira; o Dr Luís Américo está a olhar para o Grupo Coral de Vila das Aves que ele dirigiu durante vinte e oito Encontros de Coros Litúrgicos e neste vigésimo nono Encontro foi, por vontade própria, somente o organista (foto nº2), pois entregou o seu testemunho ao Alexandre Martins; peço à Direção e aos coralistas para que também pensem numa digna, justa e merecida Homenagem ao Dr Luís Américo Carvalho Fernandes.

Vila das Aves, três de dezembro de 2019, primeira terça-feira do mês e Memória Obrigatória de São Francisco Xavier que faleceu há 457 anos, com 46 anos de idade.

Padre Fernando de Azevedo Abreu