Conselho Pastoral Paroquial convidou madre superiora de Mosteiro da Visitação

Vila das Aves evoca centenário da canonização de Santa Margarida Maria Alacoque

Com um mosteiro visitandino em Vila das Aves, o Conselho Pastoral Paroquial desta freguesia quis evocar a efeméride do centenário da canonização de Santa Margarida Maria Alacoque, também ela visitandina.

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Para o efeito convidou a madre superiora do mosteiro avense, a irmã María Marín, para falar aos conselheiros da santa que é uma das maiores responsáveis pela devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Nascida em 1647, em França, numa família previligiada onde o pai era juiz, sofreu com a morte deste quando tinha apenas oito anos de idade. Ficou doente pouco tempo depois e só se curou quando, no seu íntimo, se consagrou a Deus. A sua juventude foi dificil, pois foi encaminhada para casa de um tio onde não teve muito amor, servindo antes como criada. “Sofreu e chorou muito” recordou a irmã María, evidenciando que teve de lutar contra a oposiçao familiar em entrar para o mosteiro, pois a ideia da mãe era que ela se casasse.

Acaba por ingressar nas visitandinas, 70 anos depois de fundada a ordem por S. Francisco de Sales e Santa Joana de Chantal. Mas também no mosteiro em Paray-le-Monial não teve vida fácil. Apesar de se consagrar e vestir o hábito pouco depois de entrar o seu fervor religioso era visto com estranheza pela restante comunidade.

Recolhida em oração teve várias revelações de Deus, a mais simbólica das quais quando Jesus lhe apareceu e mostrou-lhe o seu coração, indicando que era um coração de amor por todos os homens, mas que estes quase sempre lhe respondiam com ingratidão.

Ainda hoje as visitandinas perpetuam “esta devoção dedicando muita oração ao Sagrado Coração de Jesus, símbolo maior do amor de Deus pelos homens. É, no fundo, o sacramento do amor”, enfatizou a madre superiora María Marín.

Santa Margarida Maria Alacoque viveu em tempos conturbados com pouca fé nos mosteiros e os cristãos mergulhados já nas suas divisões internas com o surgimento do protetantismo. A visitandina sofreu grande parte da sua vida, mas “vivia alegre”, acabando por falecer com 43 anos de idade.

Seria beatificada em 1864 e canonizada já no século XX, em 1920, tendo em ambas as ocasiões sido provados vários milagres de cura de diversas pessoas a que se atribui a intercessão de Margarida Maria Alacoque.

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Da Colômbia para a Vila das Aves

O ano jubilar da sua canonização iniciou-se no passado dia 17 de outubro, no aniversário da sua morte, e vai prolongar-se até à mesma data de 2020.

A Ordem da Visitação de Santa Maria está presente em Portugal com três mosteiros: um na Batalha, outro em Braga e o terceiro em Vila das Aves onde se encontra a irmã María Marín. Colombiana e licenciada em desenho arquitetónico foi a ideia de clausura que a motivou a ingressar na vida religiosa. Foi experimentar esta vida durante as férias num mosteiro da Visitação e pouco tempo depois entrou no mosteiro de Marselha onde esteve 15 anos.

Este acabaria por fechar e as irmãs foram distribuídas, tendo María Marín vindo para Portugal. “Só tinha ouvido falar de Fátima e de Lisboa”, disse, para quem o maior problema que teve foi a adaptação ao frio, pois chegou ao nosso país no inverno. “A 11 maio de 2002 vim definitivamente para Vila das Aves, para integrar uma comunidade alegre, generosa e acolhedora”, salientou, estando como madre superiora do mosteiro desde o ano passado.

Celso Campos