Somos povo que caminha em desertos

Este título foi levado pelas crianças do quinto ano da catequese no nosso Cortejo Pascal (foto n.º 1) em vinte e um de abril deste ano de dois mil e dezanove; à frente do cartaz ia uma viatura com o presente tema pastoral da nossa arquidiocese de Braga: “Ser Esperança”; atrás do dito cartaz iam identificados doze desertos de Vila das Aves, isto é: as doze zonas pastorais de densidade populacional onde reinam a indiferença e o anonimato.

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Foto 01

Na foto n.º 2 estão as seguintes pessoas, da esquerda para a direita: Drª Felisbela Freitas, Professora Rosa Maria Machado de Azevedo Pereira, Deolinda Azevedo Pinto, Drª Eugénia Pinheiro da Costa Dias, Dr. Nuno José da Cunha Roque Faria, António Sousa Gouveia e o pároco, padre Fernando de Azevedo Abreu; estas sete pessoas pertencem ao Conselho Económico Paroquial (vulgo Fábrica da Igreja) e ao Conselho Permanente do Conselho Pastoral Paroquial de Vila das Aves, estes eleitos por votação secreta, direta e universal; esta equipa sentiu-se impelida a ser missionária, deslocando-se alegremente aos desertos avenses em dias e horas atempadamente determinados por cartas, distribuídas ao domicílio pelo jovem Pedro Miguel Ribeiro Correia; aqui fica registado o número total de cartas levadas e ainda a levar a esses itinerários geográficos: duas mil, trezentas e vinte e seis!

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Foto 02

Voltando à foto n.º 1, convém explicar que para se fazer tais reuniões periféricas foi comprado um guarda-sol que, juntamente com a base, nos custou setenta e seis euros e catorze cêntimos. Já agora também se informa que comprámos dez caixas de bolachas “beneditinas” por setenta e cinco euros, pois as dez reuniões começaram por este doce acolhimento.

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Foto 03

Seja-nos permitido mencionar especialmente duas pessoas que encontramos na zona pastoral de densidade populacional, denominada Baixa: a Fernanda Torres e a Rosa Maria; aquela com doença impeditiva da presença habitual na nossa igreja matriz; esta com sua mãe Florinda Machado, acamada e que irá fazer noventa anos no domingo, dia vinte e nove de dezembro, próximo futuro.

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Foto 04

Curiosamente nem sempre foi preciso reunir debaixo do guarda-sol, pois na zona pastoral de densidade populacional, denominada Poldrães e Rua Senhora de Fátima, fomos recebidos no apartamento onde residia o Engenheiro José Neto e há que agradecer o familiar acolhimento onde não faltou a guitarrista Tatiana que pôs os presentes a cantar “deixa Deus entrar na tua própria casa”.

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Foto 05

A zona pastoral de densidade populacional denominada Barca foi a que nos deu mais e fecundo trabalho prévio, pois nessas habitações sociais existem quatro pessoas, responsáveis pelos condomínios, que me aconselharam requerer à Ação Social da Câmara Municipal de Santo Tirso a utilização da sala lá existente para reuniões (o que foi feito, ver registo n.º 3) e que veio a ser despachado favoravelmente, com a chave entregue pela Maria Amélia Pacheco Oliveira; depois da escuta dos presentes, ouvimos dois pedidos solicitados: a Visita Pascal do pároco e uma futura saída de lá da procissão de velas com o andor de Nossa Senhora de Fátima.

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Foto 06

A foto n.º 4 por mim tirada regista esta particularidade: os ousados e apaixonados conselheiros (que foram às Fontainhas) ficaram surpreendidos com a presença e o testemunho de fé da Professora Maria Teodora da Silva Peixoto Neto, acompanhada do seu filho João Manuel Neto Machado, que vieram diretamente ter connosco logo após o funeral de Manuel da Silva Machado, falecido com 66 anos de idade, realizado em São Tomé de Negrelos; embora a presença da psicóloga Drª Marisa Costa nos seja pastoralmente mais familiar, a verdade é que a presença do casal Carlos Rodrigues de Oliveira e Maria do Carmo Dias Vilaça da Silva tornou-se mais original pela tatuagem (foto nº 5) que a ele tinha sido feita na Guiné pelo enfermeiro Virgílio Carlos Rodrigues de Oliveira; tudo isto serviu para de seguida entregarmos a folhinha (ver registos n.º 6 e n.º 7) com a referência à Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa (“Todos, Tudo e Sempre em Missão”), e com a oração oficial do Papa Francisco para o Mês Missionário Extraordinário que ocorrerá em outubro de 2019 e que esta paróquia de São Miguel de Vila das Aves, concretamente no dia vinte e sete, irá descerrar o logótipo oficial da Igreja Católica com a Cruz que enlaça e abraça todos os povos dos cinco continentes onde o significado simbólico das cores tradicionais faz conexão ao tema “batizados e enviados”; aqui fica a alusão interativa das cores: vermelho para a América; verde para a África; branco para a Europa; amarelo para a Ásia e o azul para a Oceânia.

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Foto 07

Esta nossa iniciativa missionária não vale mais nem menos do que tantas outras propostas de voluntariado missionário ad extra para melhor consciencialização de que todos somos missão; mas a verdade é que o desafio da saída fez-nos e faz-nos alargar horizontes e respirar outros ambientes.

Vila das Aves, 03 de setembro de 2019, primeira terça-feira do mês e dia da Memória Obrigatória do Papa São Gregório Magno que, tendo falecido há mil quatrocentos e vinte e nove anos, continua a interceder por nós para que tenhamos missionários certos nos nossos desertos.

Padre Fernando de Azevedo Abreu