Irmã Cacilda Ferreira: Uma Violeta com Cem Anos de Idade

Maria Cacilda Pinheiro Leão Gomes Ferreira (foto nº1) é a única Visitandina sobrevivente das Religiosas que viveram no Mosteiro da Carreira, que em 1953 foram para o Mosteiro de Coimbra e que em 1964 regressaram a S. Miguel das Aves, mas agora para o Mosteiro de Longal, onde o senhor José Maria de Almeida Garrett, da alta sociedade portuense, possuía uma casa de campo e nela residia com sua mãe Angélica Isabel, tendo os dois testemunhado grande sensibilidade religiosa e generosidade social nesta paróquia, a ponto de sua casa e seus bens serem legados, em 2/10/1887, para a construção e fundação de um novo Mosteiro da Visitação.

Foto 01

Convém não esquecer as terríveis vicissitudes políticas com a implantação da República em 1910, pois as Visitandinas foram obrigadas a expatriar-se para Espanha e França e só puderam voltar para o Mosteiro da Carreira em 1931 onde ainda viveram 22 anos até irem para Coimbra.

Foto 02

Depois desta referência histórica, registo que a Irmã Maria Cacilda foi batizada com o nome de Olívia, mas que ao fazer a sua profissão religiosa no dia 13 de maio de 1946, adotou o nome de Cacilda em memória da sua saudosa mãe.

Na segunda-feira, dia dezassete de dezembro de 2018, a Irmã Maria Cacilda comemorou cem anos de vida e a sua querida comunidade religiosa atempadamente preparou uma solene liturgia que foi celebrada na capela do mosteiro às 15,30 horas.

Foto 03

Na foto nº2 está o capelão Padre Abel Maia a fazer a monição no início da concelebração eucarística presidida pelo Dom Jorge Ortiga (Arcebispo de Braga), tendo sido concelebrantes Dom Manuel Linda (Bispo do Porto) e mais quinze sacerdotes; na foto nº3 está a Marla Andreia da Costa Ferreira Gomes (sobrinha paterna da Irmã Cacilda) a proclamar a primeira leitura indicada no lecionário ferial para o primeiro dia da Novena de Natal.

Foto 04

Foto 05

Foto 06

Nas fotos nº4 e nº5 Dom Jorge Ortiga está a fazer a homilia sobre o evangelho proclamado, tendo aproveitado a pergunta “que devemos fazer?” para se dirigir não só à aniversariante (que na foto nº6 se mostra bem atenta), mas também para a todos valorizar o aniversário natalício do Papa Francisco que neste mesmo dia fez 82 anos de idade e que a todos interpela incessantemente, dizendo: “eu sou uma missão na terra”; com alegria contagiante leu a Bênção Apostólica (foto nº 7) e que no registo n8 está digitalizada; a Irmã Cacilda jubilosamente recebeu-a (foto nº9).

Foto 07

Foto 08

A oração dos fiéis foi rezada não só pela Catarina Queirós (filha do Prof. Dr. José Queirós, sobrinho materno da aniversariante) e seu marido Luís Frederico Fonseca, mas também pelo filho do casal, o Frederico José com seis anos de idade (fotos nº10 e nº11).

Foto 09

Foto 10

Foto 11

Mo momento sagrado da comunhão a Irmã Cacilda recebeu a hóstia consagrada das mãos do Arcebispo Primaz (foto nº12).

Foto 12

No momento pós-comunhão a Irmã Cacilda (foto nº13), tendo a seu lado a Irmã Iliana, visitandina da Colômbia que agora é a Madre Superiora do nosso Mosteiro da Visitação, leu o seu Magnificat, sem esquecer a comunidade religiosa, os diretores espirituais, os seus confessores e as Madres Superioras, que em momentos difíceis receberam suas confidências, tendo mencionado a Madre Elisa (que naquela capela tinha tido a sua celebração exequial na manhã de sábado, dia dez de novembro de 2018, presidida pelo Dom Manuel Linda).

Foto 13

Mas, a que propósito eu referi a flor “violeta” no título desta minha mensagem? São Francisco de Sales, Fundador da Ordem da Visitação, refere que as Ordens Religiosas, existentes na Igreja Católica, são um “belíssimo ramo de flores”, e as Filhas da Visitação são “a flor violeta singela, humilde, rasteirinha, escondida, que não se mostra e quase não tem beleza exterior, mas que guarda a suavidade do seu perfume só para Aquele que a criou”!

Foto 14

Não devo terminar sem referir no programa musical estes quatro cânticos:
“cantarei ao Senhor por tudo o que Ele fez por mim”, “nos dias do Senhor nascerá a justiça e a paz para sempre”, “pelo pão do teu amor, muito obrigado, Senhor” e “eis o Coração que tanto amou os Homens”; esta jaculatória da visitandina e vidente Santa Margarida Maria Alacoque, foi musicada pelo Dr. Luís Américo Carvalho Fernandes que também foi organista das músicas cantadas neste indelével centenário. Há que recordar esta espiritualidade fundacional: São Francisco de Sales escreveu a Santa Joana Francisca de Chantal dizendo que no brasão da Ordem da Visitação queria lá “um coração trespassado por duas flechas, dentro de uma coroa de espinhos, o qual servirá de base a uma cruz onde o Salvador, ao morrer, deu à luz a nossa Congregação”.

Foto 15

A festa do jubileu da Irmã Cacilda terminou no locutório onde muita gente conviveu, lanchou e cumprimentou a felicíssima aniversariante; nesse local eu tive a dita de também tirar a foto nº14 onde ela está rodeada de três sobrinhos maternos, estando à sua direita o Prof Dr. José Maria Queirós e à sua esquerda o Dr. Adolfo Queirós, ambos conceituados médicos; a foto nº15 foi-me oferecida pelo Dr. Adolfo Queirós quando eu estava na conversa com o seu irmão, o Prof Dr. José Maria Queirós; o outro sobrinho materno que está na fotografia, é o senhor Bernardino Maria Leão Ferreira Gomes.

Como estas minhas palavras aqui escritas brotam do fundo do coração, oxalá façam ressoar esta festa centenária até às Bodas de Diamante, ou seja até aos 75 anos da profissão religiosa da Irmã Cacilda que ocorrerão em 13 de maio de 2021.

Vila das Aves, 01 de janeiro de 2019, primeira terça-feira do mês.

Padre Fernando de Azevedo Abreu