O Bispo no coração do “Meu Gatinho”

Nasceu no mesmo ano em que eu nasci (1948) e como bispo auxiliar de Braga veio fazer a Visita Pastoral a esta paróquia de São Miguel de Vila das Aves nos dias 23 e 25 de setembro de 2005; depois foi para Bispo de Aveiro, para finalmente vir a ser Bispo do Porto, onde faleceu repentinamente no dia 11 de setembro de 2017; na data em que faria 70 anos de idade, dia 29 de agosto de 2018 (quarta-feira, Memória Obrigatória do Martírio de São João Baptista), eis que as dioceses de Lamego, Braga, Aveiro e Porto resolveram fazer “digna e ampla Homenagem ao saudoso Bispo Dom António Francisco dos Santos” (foto nº1) na sua terra natal de Tendais, do concelho de Cinfães, da diocese de Lamego.

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Impelido pela grata e cordial reciprocidade pastoral lá fui eu, sendo motorista de Maria da Conceição Vilaça Torres (que no dia anterior tinha feito 81 anos de idade) e de Deolinda Azevedo Pinto que ao chegarem atempadamente ao local encontraram o Grupo Coral e instrumental (flauta transversal, trompete e saxofone) a fazer animação musical (foto nº2).

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Admirámos no Monumento erguido em sua memória a base com os quatros patamares e os quatro painéis (foto nº3) evocativos da vida e missão do Bispo Dom António Francisco dos Santos nas quatro dioceses supra referidas; recordámos que o autor da sua estátua em bronze, com dois metros de altura, foi Hélder de Carvalho, o mesmo escultor que fez o busto do nosso benemérito António Martins Ribeiro, benzido e inaugurado em 1 de abril do ano de 2000, por eterna gratidão da instituição do nosso Lar Familiar da Tranquilidade.

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Na foto nº4 está o nosso Dom Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga, que no cortejo iniciado às 17,30 horas passou junto a nós e com encanto sorriu.

No momento da homilia o bispo de Lamego, Dom António Couto (foto nº5), como presidente de tão solene concelebração eucarística meditou com amor imenso e intenso a palavra de Deus proclamada e avisou que estamos no umbral do mistério; chamou de aldrabão o rei Herodes que aceitou mandar degolar o João Baptista que já lhe tinha lancetado o coração; certamente alguns ilustres convidados, na assembleia sentados em lugares reservados, ficaram interpelados com esta intuitiva meditação, pois “o bom filho desta terra e único filho de seus pais tinha inteligência ingénua”!

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Quando chegou o momento da bênção e inauguração do Monumento houve uma criança da família (foto nº6) que leu palavras que o falecido tinha escrito quando escolheu para seu lema episcopal “nas mãos do Pai”.

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Na foto nº 7 está Armando Mourisco, Presidente da Câmara Municipal de Cinfães, que apropriadamente referiu-se aos valores pessoais, sociais, culturais e até episcopais do saudoso Bispo António Francisco, nomeadamente a sua bondade em servir a comunidade.

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Após tudo ter terminado oficialmente às 19,30 horas, muita gente aguardou a oportunidade para tirar fotografia; quando chegou a nossa vez, uma escuteira fez-nos a boa ação de nos fotografar (foto nº8).

No regresso à Vila das Aves ainda tínhamos mais outros 97,5 kms para percorrer, deixando aquela santa interioridade e voltando a serpentear por montes e vales sem GPS; mas como já eram 20 horas, resolvemos jantar no concelho de Cinfães sem termos nenhum restaurante de referência, muito menos de preferência; após ter arranjado estacionamento, fui perguntar a uma menina que estava ao balcão de um café onde me aconselhava ir jantar; ela amavelmente veio à rua dar-me orientações, tendo-me aconselhado a ir de automóvel.

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Chegados ao restaurante sentámo-nos a uma mesa, lemos o cardápio muito variado e ficámos algo admirados com os preços baixos ali praticados; prestes ao pagamento final, eis que a solícita senhora da casa perguntou à Deolinda Pinto: vocês foram à Homenagem ao Bispo António Francisco que hoje ocorreu em Tendais? Perante a resposta alegremente positiva, eis que essa senhora, chamada Teresa, nos contou que a sua querida e extremosa mãe (Maria Amanda Soares), com 94 anos de idade, também tinha ido a essa Homenagem porque ela, professora de Matemática, tinha sido colega do Padre Dr. António Francisco dos Santos no mesmo estabelecimento de ensino, ali em Cinfães e era ele o celebrante da fé sacramental a nível familiar, pois são dez irmãos ainda vivos; quando a simpática Teresa nos revelou que o saudoso Bispo tantas vezes tinha sido comensal ali naquele restaurante “o Meu Gatinho”, eu imediatamente recordei o que tinha sido dito pelo anfitrião e pároco de Tendais, padre Adriano Pereira, logo no princípio da concelebração e que ele o tinha ouvido ao agora homenageado: o lugar dos mortos não é no cemitério, mas no coração dos vivos!
Deus seja louvado por termos ido ali providencialmente jantar, pois voltámos a encontrar o Bispo no coração do “Meu Gatinho”.

Vila das Aves, 04 de setembro de 2018, primeira terça-feira do mês.

Padre Fernando de Azevedo Abreu