Seminarista avense, Alexandre Martins, partilhou vivências de Lisboa


“É preciso bater à porta para fazer pastoral”


A pastoral familiar tem de ser reinventada, sobretudo nos meios urbanos, pois “a família já não é o lugar onde se cultiva a fé”. Quem o diz é Alexandre Martins, um jovem avense, que é seminarista no seminário dos padres vicentinos, em Lisboa. Ele esteve presente na reunião do Conselho Pastoral Paroquial do passado sábado em Vila das Aves e falou das novas formas de isolamento no contexto das comunidades urbanas. 

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Depois de uma experiência no seminário diocesano, Alexandre Martins, ingressou e frequenta o mestrado integrado em Teologia na Universidade Católica de Lisboa. Apesar de Vila das Aves ser já um misto de meio urbano e rural, nada tem a ver com a realidade e vivência religiosa que se encontra numa grande metrópole como Lisboa. Está a trabalhar na paróquia de S. Tomás de Aquino, onde vivem cerca de 20 mil pessoas, numa zona que outrora estava repleta de barracas, mas que agora é uma das zonas luxuosas da capital portuguesa.
“O trabalho pastoral que se faz ali nada tem a ver com o que é feito em Vila das Aves, por exemplo”, indicou, sendo que o fator mais diferenciador é o isolamento com que as pessoas vivem, sobretudo as mais idosas, fruto do anonimato das mesmas. “É normal falar-se e estranhar que uma pessoa não tem aparecido na padaria ou no café e, na verdade, ao fim de alguns dias acaba por encontrar-se essa pessoa morta, em casa”, enfatizou Alexandre Martins.
Raramente acontecem manifestações públicas religiosas, por exemplo, não há procissões ou catequese, por isso a ação pastoral e social “é muito difícil”. Uma das poucas formas de contacto nestes meios é através de meios digitais como as redes sociais, porque “não há contacto entre as pessoas”. 
Assim, os padres vicentinos apostam em cumprir o desiderato definido pelo Papa Francisco de “fazer a missão dentro de portas”, por isso, batizaram uma iniciativa pastoral de “Missão Popular”. “Se apenas batemos à porta para pedir dinheiro então a missão de evangelização está mal. É preciso bater à porta para fazer pastoral e não apenas para pedir dinheiro”, evidenciou, por isso é preciso reinventar a pastoral familiar. 

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Assim este programa visa, através de um casal modelo, agregar outros casais e participar em vários grupos. É desta forma que se está a tentar retirar as pessoas do isolamento e do anonimato e a voltar a trazê-los para a comunidade.

“É preciso sair do sofá, como diz o papa Francisco, sair do conforto do que está instituído há anos e ir ao encontro do outro”, salientou Alexandre Martins, por isso a missão popular vicentina tenta semear no meio em que vivem as pessoas, mas há consciencia de que “é preciso semear para voltar a colher e não é um processo rápido. É muito lento. Mas este espírito missionário pode ajudar a unir as pessoas em torno do Evangelho”. 

Celso Campos