Eutanásia: O que está em causa?

Este tema epigrafado foi debatido pela ilustre e querida avense Sandra Pereira (foto nº1) na noite fria e chuvosa de sábado, dia dez de março de 2018, no salão de festas do Patronato-Centro Social de Vila das Aves; o catequista Sebastião Lopes apresentou a sobrinha conferencista como conceituada e altamente qualificada especialista e investigadora deste tema que está na ribalta; agradeceu a numerosa presença dos adolescentes dos volumes 7 e 8 e dos jovens dos volumes 9 e 10, bem como dos seus familiares e demais pessoas presentes (a foto nº2 só mostra uma ala). Os Jovens em Caminhada Renascer fizeram o acolhimento musical onde a letra “não percas tempo” foi interpelante (foto nº3).

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Foto 01

Sandra Pereira começou por distinguir bem os termos eutanásia e suicídio assistido; na foto nº4 vê-se pela expressão corporal que ela alertou não só para alguns eufemismos, cujos nomes bonitos escondem a gravidade da legislação da eutanásia, mas também para a finalidade da legalidade que é a normalização social que permitirá quebrar regras estipuladas, por serem inicialmente impraticáveis.

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Foto 02

Eutanásia é o ato de uma pessoa terminar a vida de outra pessoa intencionalmente através da administração de fármacos a pedido voluntário e competente dessa pessoa.

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Foto 03

Após ter apresentado os argumentos pró e contra a eutanásia, Sandra Pereira (foto nº5) enfatizou imenso o que nos une a todos: morrer com dignidade (foto nº6), tendo valorizado os cuidados paliativos como cuidados coordenados, ativos e globais.

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Foto 04

Das perguntas que lhe foram feitas livremente e em qualquer momento da sua exposição com projeção, depreendi que a eutanásia legalizada será morte executada e, como rampa deslizante, poderá resultar em atropelos e riscos impossíveis de prever ou controlar completamente (vejamos, por exemplo, pedidos e práticas de eutanásia em menores ou em pessoas com demência).

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Foto 05

Apelando para a sua experiência internacional em países como a Holanda e Bélgica, e à luz da investigação feita em países como a Suíça, Luxemburgo, parte do Canadá e alguns estados na América, Sandra Pereira, consciente da cultura lá existente, foi muito ativa e interventiva em pôr os pontos nos iis à luz da nossa matriz cultural cujas premissas de transcendência e ética cristã jamais permitirão equívocos ou esconderijos de subjetividade e da enganosa liberdade.

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Foto 06

Se o quinto mandamento da Lei de Deus diz “não matar”, então não devemos acelerar nem retardar a morte; procuremos a nossa humanidade (fotos nº7, nº8 e nº9) para sermos humanizadores.

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Foto 07

Como eu, presbítero há 45 anos, mas nascido em 1948, estou no tapete da terceira idade e, querendo morrer em união com Cristo que por obediência sofreu e que por nós morreu e ressuscitou, poderei ser um doente terminal, então declaro que aceito e subscrevo esta conhecida Declaração após madura reflexão, sendo ela o meu Testamento Vital Cristão, dirigido ao médico, ao sacerdote ou ao notário. Se eu chegar a um momento em que não possa exprimir a minha vontade acerca dos tratamentos médicos que me vão aplicar, desejo e peço que esta Declaração seja considerada como expressão formal da minha vontade, assumida de forma consciente, responsável e livre, e que ela seja respeitada como se tratasse de um testamento. Considero que a minha vida neste mundo é um dom e uma bênção de Deus, mas não é o valor supremo e absoluto. Sei que a morte é inevitável e põe fim à minha existência terrena, mas, a partir da fé, creio que me abre o caminho para a vida que não acaba, junto de Deus; por isso, peço que, se pela minha doença chegar a estar numa situação crítica irrecuperável, não seja mantido em vida por meio de tratamentos desproporcionados ou extraordinários, que não se aplique a mim a eutanásia, nem se prolongue abusiva e irracionalmente o meu processo de morte; que me administrem os tratamentos adequados para mitigar os sofrimentos, como preconizado e praticado pelos cuidados paliativos.

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Foto 08

Peço igualmente ajuda para assumir cristã e humanamente a minha própria morte. Desejo poder preparar-me para este acontecimento final da minha existência em paz, na companhia dos meus entes queridos, fechando os olhos para melhor contemplar a consolação maternal da minha fé cristã (foto nº10).

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Foto 09

 

Peço que aqueles que tenhais de cuidar de mim respeiteis a minha vontade. Estou consciente de que vos peço para assumir uma grave e difícil responsabilidade. Precisamente para partilhá-la convosco e para atenuar em vós algum possível sentimento de culpa é que dato e assino esta Declaração.

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Foto 10

Vila das Aves, três de abril de 2018, primeira terça-feira do mês.

Padre Fernando de Azevedo Abreu