“Não basta fazer o bem, é preciso fazê-lo bem”

Carisma vicentino refletido, em Vila das Aves, nos 300 anos da sua presença em Portugal

“Não basta fazer o bem, é preciso fazê-lo bem”

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Os padres vicentinos estão a viver um duplo ano jubilar e como uma oportunidade de “olhar o passado com gratidão, o presente com paixão e o futuro com esperança”. Foi desta forma que o padre Fernando Soares evocou a comemoração dos 300 anos desta congregação em Portugal e os 400 anos da sua fundação, por S. Vicente de Paulo, na reunião do Conselho Pastoral Paroquial de Vila das Aves, no passado sábado.

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“Não basta fazer o bem, é preciso fazê-lo bem” foi com esta frase que o padre vicentino Fernando Soares sintetizou o carisma de S. Vicente de Paulo e da congregação que fundou e a que pertence. Este sacerdote, natural de Felgueiras, evidenciou que foi a característica do seu fundador de ser “observador” que o convenceu que era necessário haver “formação na Igreja” para melhor exercer e desempenhar o seu papel, por isso, formou os sacerdotes para o exercício do seu magistério e depois disso para combater a pobreza. S. Vicente de Paulo pede aos seus seguidores “que sejam previdentes e providentes”.
”S. Vicente de Paulo não fechou os olhos” e viu como “Deus nos fala através dos acontecimentos”, por isso, não devemos ficar insensíveis ao que se passa à nossa volta. É por isso que este santo francês do século XVII foi mais tarde designado como patrono das obras de caridade.

O padre Fernando Soares disse ainda, aos conselheiros avenses, que o seu fundador era um homem de intuições. A primeira intuição foi quando, em 25 de Janeiro de 1617, confessou um homem à beira da morte e que ele lhe disse que se não se confessasse não se salvaria. Foi a partir daqui que começou a formar, a educar e a catequizar. A segunda intuição foi nesse mesmo Verão, quando perante uma família necessitada reuniu um conjunto de pessoas e de ações que ajudaram essas pessoas a suprir as suas necessidades. A partir daí nasce a ideia de caridade organizada, daí a máxima de que “não basta fazer o bem, é preciso fazê-lo bem”.

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Jovem avense nos vicentinos

Os vicentinos chegam a Portugal precisamente 100 anos depois de se terem fundado, em 1717, com o Padre Gomes da Costa que funda a primeira casa. Hoje são dez as comunidades espalhadas pelo país epretende-se viver o presente com “paixão”, por isso, apesar de serem poucos, estão envolvidos em muitas dinâmicas na Igreja portuguesa. Em Lisboa está o chamado estudantado, onde, curiosamente, ingressou em Setembro passado, o jovem avense Alexandre Martins que busca a sua vocação. “Ele está com ânimo”, evidenciou o padre Fernando Soares para quem a presença dele “faz olhar o futuro com esperança”.
O carisma vicentino tem como lema ter o mundo numa mão e o evangelho na outra, por isso, esta missão continua “a ser uma necessidade e o caminho da Igreja”, aliás, o sacerdote recordou as palavras do Papa Francisco, proferidas nesse mesmo dia no Egito, quando afirmou que “o único extremismo que Deus permite é o da caridade”.
Da reunião do CPP, nota ainda para a tomada de posse de Manuel Sampedro Carvalho, que agora assume a liderança da Associação de S. Miguel Arcanjo e para a comunicação de que a paróquia de Vila das Aves terá a sua visita pastoral agendada para o dia 21 de Janeiro de 2018, com o bispo auxiliar, D. Nuno Almeida.

Celso Campos