D. Manuel Martins, Despertador de Esperança

Precisamente há oito dias concelebrei na eucaristia exequial do Bispo Emérito de Setúbal, Dom Manuel Martins; quando cheguei ao emblemático Mosteiro de Leça do Balio, na Maia, tive de enfrentar e viver o calvário do estacionamento! Eu já tinha ido lá na véspera para rezar grata e sossegadamente, como estava lá silenciosamente a fazer o seu filho predileto, professor Eugénio da Fonseca. O registo fotográfico episcopal aqui publicado (nº1) tem no verso da memória, a todos disponibilizada e aqui reproduzida (nº2), esta frase: “proclamar e semear entre os homens a esperança num mundo novo”; ora precisamente na manhã dessa terça-feira, dia 26 de setembro de 2017, eu tinha estado no Auditório Vita, em Braga, na abertura do novo ano pastoral na arquidiocese de Braga, onde o arcebispo Dom Jorge Ortiga exortou todo o seu clero a “despertar esperança”!

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O atual bispo de Setúbal, Dom José Ornelas, presidiu à concelebração eucarística e na sua homilia de dez minutos, meditou a palavra de Deus, muito bem apropriada às exéquias do seu antecessor e primeiro bispo de Setúbal, Dom Manuel Martins; de facto, passar da morte à vida, conforme proclamado na carta de São João, é amorosamente sonhar e cuidar o bem-estar dos mais pobres da sociedade; perante a evangélica e longa proclamação das bem-aventuranças, Dom José Ornelas afirmou que Dom Manuel Martins viveu inabalável confiança no Senhor que seguiu sempre feliz, servindo-O nos mais necessitados.

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Eu tive a dita de ficar no estrado que estava reservado aos cantores, pois quatro tenores e quatro sopranos foram os intérpretes da música, dirigida pelo seguríssimo Filipe Veríssimo e tocada pelo organista mui concentrado e consciencioso Rui Soares, não fosse ele o Mestre-Escola na igreja da Lapa; ao ouvir tão bela sonoridade senti-me bem-aventurado naquele louvor divino celebrado, pois em todos palpitava Cristo Ressuscitado.

Curiosamente o Dom Manuel Martins desligava o telemóvel no dia do seu aniversário natalício; mas por causa de ilustres aniversariantes fomos comensais inúmeras vezes; à mesa falava-se de tudo; como anteontem tivemos Eleições Autárquicas, eis uma “profecia” falada e proclamada na casa do Reinaldo Cardoso, onde muitas vezes almoçámos; nessa quinta-feira, dia oito de março de 2012, estavam à mesa estas oito pessoas: Dom Manuel Martins, dr. Henrique Rodrigues, dr. Fernando Pinheiro, professor Artur Borges, Domingos Soares Lopes, Reinaldo Cardoso, Vitorino Cardoso e eu, padre Fernando Abreu; falou-se de política, concretamente de quem seria um bom candidato à Câmara Municipal do Porto; consensualmente foi dito que o dr. Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, daria um bom candidato; pois em vinte e nove de setembro de 2013, o dr. Rui Moreira, como candidato independente, foi vencedor para presidir à Câmara Municipal do Porto; e no dia um de outubro de 2017 voltou a vencer e agora com maioria absoluta e sem o apoio do Partido Socialista e contra as previsões da sondagem feita pela Universidade Católica.

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Uma vez que falei no Reinaldo Cardoso, convém dizer que é irmão do saudoso padre Nuno Cardoso, inesquecível pároco de Alfena, paróquia tantíssimas vezes acolhedora do Bispo Dom Manuel Martins.

No registo digitalizado nº3 está a oferta do livro “um modo de estar” referente a “D. Manuel da Silva Martins, Bispo de Setúbal”, publicado pela Cáritas Diocesana de Setúbal em 1955, e que o padre Nuno Cardoso me enviou conforme dito na mensagem manuscrita.

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Conscientes da minha admiração e amizade pelo Dom Manuel Martins, os meus estimados paroquianos pertencentes à Comissão do Centro Pastoral de Cense, ofereceram o livro da autoria do António de Sousa Duarte, intitulado “D. Manuel Martins, o Bispo de Todos” com os dizeres exarados no registo nº4.

Termino, citando e agradecendo estas palavras de Dom Manuel Martins, despertadoras de esperança: “a maior glória que podemos prestar a Deus, consistirá em respeitar e honrar o homem, sua criatura”.

Vila das Aves, 03 de outubro de 2017, primeira terça-feira do mês.

Padre Fernando de Azevedo Abreu