Ciclistas na Agonia e na Santa Luzia

Às seis horas e quarenta e cinco minutos já eu estava a pedalar na nossa Rotunda de São Miguel Arcanjo, no sábado, dia dezanove de agosto de 2017; após ter feito doze voltas, parei para cumprimentar o Lêndia, ciclista emigrante na Suíça que minutos depois viu chegar o ciclista Ferreira; claro está que às sete horas já os dezassete ciclistas tinham comparecido no local de partida e prestaram-se para a fotografia nº1; ei-los identificados, começando pelos que estão de pé e da direita para a esquerda: Freitas (motorista do automóvel de apoio), Nogueira (71 anos, responsável por este evento), Nunes (67 anos), Carvalho (61 anos), Lêndia (63 anos), Rui Ribeiro (47 anos), Isaías (48 anos), Abílio (45 anos), José (41 anos), Vaz (56 anos) e Armindo (55 anos); na fila da frente e também da direita para a esquerda: Carlos Silva (60 anos), José Silva (77 anos), Belmiro Silva (65 anos), Ferreira (63 anos), padre Fernando Abreu (69 anos), Carlos Abreu (47 anos), e Manuel Oliveira (59 anos de idade).

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Após saudações gentis e agradáveis conversas de circunstância, foi-nos recordado pelo Nogueira que o nosso destino era Viana do Castelo, onde estava a decorrer a Romaria da Senhora da Agonia, conforme cartaz que ele me ofereceu (foto nº2); após termos passado por Famalicão, chegámos a Barcelos e parámos junto ao estádio do Gil Vicente a fim de eu telefonar para o meu conterrâneo e ilustre forjanense Augusto Martins, gerente do Restaurante Náutico, que nos garantiu servir pá de porco assada e bem regada.

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Foto n.º 02

Em Darque ocorreu o primeiro furo na roda da frente da bicicleta do Nogueira.

Quando chegámos à Princesa do Lima observámos engarrafamentos e passeios apinhados de gente por causa do Cortejo Histórico-Etnográfico; mas nas minhas capacidades dedutivas jamais imaginei ter de ainda pedalar até ao alto do monte de Santa Luzia; ao tornar-me mais introspetivo, senti-me influenciado pelas moléculas infinitesimais para lá chegar como todos os outros, a pedalar, conforme fotografias nºs 3, 4, 5 e 6.

 

Às doze horas e trinta minutos já éramos comensais (fotos nºs 7 e 8); no meio das conversas mais significativas eis o ciclista Manuel Oliveira a revelar-se cómico e irónico ao recordar que seu avô materno e também seu padrinho era moleiro e tinha três burras e dez filhos em Moreira de Cónegos!

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Foto n.º 07

 

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Foto n.º 08

O outro seu conterrâneo, Rui Ribeiro, foi quem me tirou a foto nº9. O Belmiro Silva foi quem adivinhou o preço que tínhamos de pagar: 15 bicicletas.

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Foto n.º 09

Na foto nº10 está junto a mim o anfitrião Augusto Martins, trajando seu avental de trabalho.

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Foto n.º 10

Bem comidos e bem bebidos pedalámos sob o sol escaldante para regressarmos a Vila das Aves por Esposende e Póvoa de Varzim; mas logo que passámos pela ponte Eiffel mais um furo ocorreu na roda traseira da bicicleta do José.

Ao escrevinhar estas notas, registo que pedalar na ponte de Fão, sobre o rio Cávado, é sofrer ventania desorientadora, acompanhada de um zumbido inusitado.

Na foto nº11 o senhor Carlos, que foi para a saudosa equipa do Nogueira um ilustre patrocinador, mereceu uma paragem junto da sua loja, bem pertinho da Casa dos Frangos.

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Foto n.º 11

Quanto mais nos aproximámos da meta, leia-se do local da partida, mais os fugitivos imprimiram ritmos estonteantes! Pelas 18,50 horas foi tirada a foto nº12 onde dois pormenores são dignos de menção; eis o primeiro: a presença do ciclista Fernando Coelho (o terceiro da direita para a esquerda) que não pôde participar porque no nosso treino de quarta-feira passada foi vítima de uma queda; o segundo é de homenagem ao ciclista José Silva (o terceiro da esquerda para a direita) que em França e em Portugal consegue uma pedalada invejável! Como ele quis partilhar a sua fé publicamente ao pedir que no seu funeral (em Roriz) os ciclistas estivessem presentes com suas orações, aqui fica o preito da minha consideração e comunhão.

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Foto n.º 12

Antes de terminar, convém detalhar estes registos históricos: pedalei 169,35 quilómetros, mas outros ciclistas ainda pedalaram mais; atingi a velocidade média final de 21,76 Kms/hora, mas outros foram muito superiores; alcancei a velocidade máxima de 60,77 Kms.

Vila das Aves, 5 de setembro de 2017, primeira terça-feira do mês.

Padre Fernando de Azevedo Abreu