Caridade Pastoral


3 de Janeiro de 2012 | Pároco

Bruno Fuentes, com 75 anos de idade, Padre da Diocese de Orense (Espanha), e pertencente aos Padres do Prado (Associação fundada pelo bem-aventurado Padre Chevrier), orientou o retiro para presbíteros (ver foto), realizado em Fátima nos dias catorze a dezoito de Novembro do ano de dois mil e onze, dando-lhe o seguinte tema geral: “Vós sereis minhas testemunhas”.

Aproveito desde já para citar o Padre Daniel Quintela (da Diocese do Porto) e que eu agora o conheci pela primeira vez: “o nosso retiro, em comunidade de servos do Senhor e da Sua Igreja, foi para mim mais uma experiência do Deus vivo e verdadeiro que quer viver em nós, ministros dos Seus mistérios de salvação, como fermento de purificação, renovação e crescimento na fé, em Igreja, no meio do Seu Povo – tarefa difícil e exigente, mas válida e necessária, porque Caminho de Verdade evangélica”.

Ao longo dos cinco dias o Padre Bruno Fuentes citou muitas vezes a Exortação Apostólica do saudoso Papa João Paulo II: “Pastores dabo vobis”, título tirado do profeta Jeremias (3, 15): dar-vos-ei pastores; mandou-nos meditar nos números 22-25 e avisou-nos: a caridade pastoral perante o “contexto sócio-cultural e eclesial fortemente assinalado pela complexidade, desagregação e dispersão” (nº 23) precisa de renovada valentia pastoral! Ele continuava, dizendo: não devemos ser protagonistas, mas indicadores das obras de Deus pela acção do Espírito Santo: “graças ao coração misericordioso do nosso Deus que das alturas nos visita como sol nascente (Lc 1, 78). A respeito desta misericórdia descente e condescendente, o “digníssimo e competente pregador da Palavra cheia de Verdade e Vida transformada em Alimento” (citação das palavras escritas pelo referido Padre Daniel Quintela) referiu que quando era Padre ainda jovem foi convidado para ir confessar a uma paróquia onde o Pároco já era de idade avançada; como este durante as confissões passava o tempo a rezar em frente do Sacrário, o “novato” pediu-lhe uma explicação; eis a resposta: “os pecados da minha gente são meus também”.

Insistindo em sermos testemunhas do discipulado, o Padre Bruno Fuentes pediu-nos para sermos sempre aprendizes numa Igreja que não pode viver à custa do passado, nem à custa do tempo favorável que ardentemente espera, porque Deus quer falar a este povo de hoje; só o querer falar já uma grande afectividade divina, antes de o ser a Sua doutrina! Orientador de seis grupos bíblicos na paróquia onde trabalha, Bruno Fuentes gostou de referir que Orense é conhecida pela terra da chispa, por lá haver muitos afinadores de metais; e concluía: os frutos bíblicos hão-de criar chispa como o estudo do Evangelho criou em mim, que praticamente não tive formação bíblica no Seminário.

Terminado o retiro, eu estive reunido com os membros do Conselho Permanente do Conselho Pastoral Paroquial, concretamente na noite de sexta-feira, dia dezoito de Novembro do ano findo, e falámos da caridade pastoral que a nível diocesano, arciprestal e paroquial precisa de renovada valentia pastoral. Então fizemos nessa reunião uma avaliação de algumas chispas; a primeira veio precisamente do Senhor Arcebispo Primaz de Braga, Dom Jorge Ortiga, que no encontro com o clero famalicense na quarta-feira, dia cinco de Janeiro do ano de dois mil e onze (portanto, há um ano), disse: muitos problemas pastorais de hoje ficariam atenuados se trocássemos a palavra “padrinhos” por “testemunhas”.

A segunda chispa foi-me dita pelo Senhor Cónego Dr Valdemar Gonçalves, Vigário Geral da Arquidiocese de Braga, na audiência que me concedeu em nove de Novembro do mesmo ano de dois mil e onze: “resolvam as conflitualidades na pastoral pelo critério da proximidade presbiteral”.

Finalmente a terceira chispa foi por mim lançada na reunião da nossa Zona Pastoral Este realizada em Landim, na manhã da quinta-feira dia vinte e quatro de Novembro de 2011, onde estiveram presentes, além do Senhor Arcipreste de Vila Nova de Famalicão (Padre Dr Mário Rodrigues), nove Párocos; claro está que sempre há alguém a exigir mais valentia pastoral à nossa hierarquia eclesial, pois no próximo dia vinte e cinco de Março irão completar-se vinte anos da publicação da referida Exortação Apostólica.

É verdade que esta terceira chispa já veio depois da reunião do Conselho Permanente; mas, como o futuro eclesial, a nível pastoral, irá ser menos clerical e mais laical (e o nosso escritório há anos que tem dois leigos no atendimento), então os meus cinco conselheiros permanentes disseram que no próximo triénio (que irá começar em 2012) poder-se-á criar o Clube dos Anciãos (nome dado pelo jornalista Dr Celso Campos, a quem agradeço tal inspiração ), constituído por avenses paroquianos já reformados, eleitos nas zonas pastorais, com reuniões pelo menos semestrais, tendo os seus delegados poder vinculativo ao serem ouvidos pelos conselheiros para o exercício da caridade pastoral.

Vila das Aves, três de Janeiro de 2012, primeira terça-feira do mês e vigésimo quarto aniversário da Ordenação episcopal de Dom Jorge Ortiga.

Padre Fernando de Azevedo Abreu.

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