Na página oito do Semanário “Voz de Lamego” (propriedade da diocese de Lamego), publicado em treze de Julho deste ano de 2010, o Padre Joaquim Correia Duarte, Pároco de duas paróquias do Arciprestado de Resende, escreveu o seguinte parágrafo:

“Desculpem-me pela palavra que vou usar… mas os mais responsáveis da Igreja deviam fazer alguma coisa para acabar com esta “fantochada”!

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A esta palavra aqui epigrafada e aspada acrescentei uma conjunção copulativa, que referindo-me ao Padre Lopes (Padre José Peixoto Lopes) não poderá ler-se adversativamente conclusiva; de facto a leitura contextual da “fantochada” a nível pastoral e eclesial saltou-me à mente quando quatro dias depois (domingo, 18/7/2010) ouvi os matutinos noticiários radiofónicos informarem das revoltas de duas paróquias contra o Arcebispo Primaz de Braga, Dom Jorge Ortiga, por causa do Movimento Eclesiástico concernente às nomeações dos Párocos.

Confesso-me conhecedor e admirador do Pároco de São Torcato (Padre João Fernando Peixoto de Araújo), pois os nossos Jovens (concretamente o ciclista Pedro) foram lá crismados em 18/11/2007, tendo eu ido lá de bicicleta para os devidos preparativos.

Quanto ao Padre José Peixoto Lopes (Pároco de Santa Eulália de Fafe) confesso-me totalmente ignorante das suas lides apostólicas, embora tenha sido ordenado presbítero espiritano três meses depois de mim, sendo ele quatro anos mais velho na idade.

Quando na segunda-feira, dezanove de Julho de 2010, comprei o Jornal Notícias para me inteirar de alguns pormenores fiquei chocado com o que li na primeira página: “uma cidade e uma vila ameaçam Arcebispo, milhares criticam decisão de D. Jorge Ortiga de retirar padre de Fafe. S. Torcato (Guimarães) não quer deixar sair prior para…Fafe”. Na página vinte, um empresário disse que ia dar “malha” ao Arcebispo, se ele não alterasse a decisão.

Na terça-feira (20/7/2010) os canais abertos televisivos falaram dos fiéis leigos deveras revoltados.
Na noite de quarta-feira (21/7/2010) a TVI informava repetidamente que ia entrevistar o “Padre da polémica em Fafe”. Ouvi-o atentamente dizer que “se sente injustiçado perante uma decisão cruel, injusta e inoportuna”.

Para eu conhecer o Sitz im leben do Padre Lopes recorri a várias fontes “exegeticamente” fidedignas, tendo até optado por uma deslocação velocipédica a Fafe na passada sexta-feira, dia vinte e três de Julho de 2010, acompanhado dos ciclistas Pedro (que fez dezanove anos no domingo, 18/7/2010) e do Carlos (que irá fazer 73 anos no dia 17 de Agosto de 2010). Na ida, obedecemos ao mais velho que se deixou perder pelas encruzilhadas da XXI Feira de Artesanato de Guimarães, neste dia inaugurada. Pedalando em direcção à pista de cicloturismo, parámos junto dos melões “casca de carvalho” e avisámos o vendedor das suas aldrabices, pois no domingo passado tinha-nos vendido dois, um saiu mais ou menos “católico” e o outro “protestante”!

Às onze horas e quinze minutos estávamos em Fafe a “ver o ambiente” aqui fotografado; os panos das fotos nº1 e nº2 ladeavam as escadas de acesso à Igreja dedicada a São José, com a Santa Eulália em segundo lugar; no presbitério estava uma solícita e amável Zeladora que nos ofereceu o Boletim Paroquial de Fafe, intitulado “Igreja Nova”, datado de 25 de Julho de 2010, e em vias de ser distribuído. No canto superior esquerdo da primeira página estava publicado o problemático “Movimento Eclesiástico na Arquidiocese”; ao centro e ao fundo da primeira página estava o texto de solidariedade ao Pároco (ver foto nº3).

Como na parede da rua havia um pano branco com dizeres a preto e a vermelho e nós os três queríamos ficar nessa fotografia, tivemos a dita de uma simpatiquíssima Licínia nos tirar a foto nº4, onde o Pedro está ao centro; à sua direita, o Carlos; à sua esquerda, o P.F.; com a bendita fotógrafa falámos somente sobre o que estava escrito a vermelho: Políticos, Arcebispado, Padre Lopes.

Como estava na hora de almoço, fomos bem aconselhados em ir comer ao Restaurante “Feira Velha”. Na foto nº5 poder-se-á comprovar o que os três ciclistas comeram e beberam. Os cinco euros de gratificação ao empregado foram bem merecidos pois ao ser entrevistado (por um ciclista desconhecido) foi dizendo que conhecia mais ou menos o Padre Lopes, e que foi pena o Arcebispo não esperar mais um ano para ele ter a reforma!

Pedalados 78,58 Kms chegámos a Vila das Aves, e pelo caminho já não comprámos dois melões por vinte euros, pois o vendedor queria mais três euros, e os três ciclistas preferiram poupar um euro cada um.

No sábado, dia vinte e quatro de Julho, o Jornal Público trazia mais informações e atribuía ao Padre Lopes esta afirmação: “procurei sempre defender as pessoas, dar um rosto humano às leis canónicas”. Aqui está, na minha opinião, a porta aberta para a referida “fantochada”, pois é urgente e importante discernir a “essencialização” da Fé perante a desinstitucionalização da Família.

Continuando com a minha insignificante opinião, gostei de ler no mesmo Público esta pergunta feita pelos paroquianos de São Torcato: “como protestar sem fazer figuras tristes para a televisão?”. Aqui está o ponto nevrálgico da gestão conflitual a nível pastoral.

Quando eu estava a almoçar na Residência Paroquial às 13,10 horas deste mesmo sábado, a SIC voltou à carga com a polémica da troca de padre causadora da grande confusão, e até o advogado do Conselho da Fábrica da Igreja de Fafe deitou faladura para citar o Direito Canónico a favor do Padre Lopes que é Pároco de mais ou menos quinze mil habitantes!

Para eu agora não ser diagonalmente interpretado, convém ler o artigo lamecense onde a “fantochada” é explica pelo comportamento de alguns Padres e Párocos (eu conheço pelo menos três nas minhas redondezas) para quem a tentação de agradar ao povo cristão é dizer amen a tudo! “Andamos a brincar com coisas sérias”, bem escreveu o citado Padre lamecense.

É forçoso convir que apelar meramente para o princípio da rotatividade (ver Diário do Minho 20/7/2010, página 16) é um expediente pouco convincente à luz dos ensinamentos debitados nas Jornadas Nacionais das Comunicações Sociais, realizadas em Fátima nos dias 10 e 11 de Setembro de 2009, e promovidas pela Comissão Episcopal presidida pelo Dom Manuel Clemente, e que versaram esta temática: “Gabinetes de Imprensa na Igreja: luxo ou necessidade?”. Curiosamente o Bispo do Porto disse que uma pessoa mediadora e comunicadora a nível eclesial tem de ser policêntrica onde Cristo Crucificado e Ressuscitado seja o seu centro! É neste ponto que meditei na Eucaristia que celebrei às dezanove horas dessa sexta-feira, 23/7/2010, após ter feito o meu tricentésimo quadragésimo quinto treino velocipédico: a Igreja Católica estava a celebrar a Festa de Santa Brígida, Padroeira da Europa, a qual teve a dita de jamais esquecer o sermão da Paixão de Jesus, que ela ouviu quando tinha dez anos (e morreu com 71 anos, em 1373); é necessário investir nesta mística essencial na vida eclesial para que a Igreja não seja glorificada por ser amada pelo mundo; mas, por ela ser de Cristo, o alter christus terá de sofrer silenciosamente, mesmo que seja dispensado por razões de saúde. Neste sentido do bonum Ecclesiae, o “acto de solidariedade” dos Padres de Fafe ao Senhor Arcebispo Primaz de Braga, Dom Jorge Ortiga (publicado no Diário do Minho de 3ª feira, 27/7/2010), foi reconfortante mesmo que a montante a “fantochada” continue a ser reinante e trovejante.

Termino dizendo que o tal ciclista Pedro (João Pedro Pinheiro da Rosa, filho da Evangelina, mãe de nove filhos e trabalhadora no Centro Social do nosso Patronato) vestiu um equipamento que eu lhe dei (e que os meus paroquianos Jorge Duarte Carneiro Fontes e Clara Maria Lima Henriques de Carvalho me tinham oferecido na quinta-feira, dia 14/5/2009) como recordação por ele ter recentemente entrado na Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo (ESMAE-Porto) com dezanove valores na classe de viola de arco! O outro ciclista Carlos, (Carlos Pinheiro da Cunha) que no sábado, dia oito de Agosto de 2009 pedalou com êxito até ao Santuário de Fátima, ofereceu-me no passado dia sete deste mês de Julho um DVD, não só referente à minha presença no seu último aniversário natalício, mas também ao passeio dos cinco ciclistas que pedalaram até à Póvoa de Lanhoso na sexta-feira, dia 28/8/2009.

Muito obrigado.

Vila das Aves, 03/08/2010 (3ª feira).
Padre Fernando de Azevedo Abreu.

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