Elias Couto falou do Papa na reunião do CPP de Vila das Aves

Pontificado de Bento XVI é de crise e de escolhas

Dias antes de o Papa Bento XVI visitar Portugal, os membros do Conselho Pastoral Paroquial (CPP) de Vila das Aves ouviram, no momento de formação da sua reunião do passado Sábado, o Mestre Elias Couto falar da personalidade e do pontificado do Santo Padre.

Este professor de Filosofia na Universidade Católica elucidou os conselheiros avenses sobre as razões das inúmeras polémicas que têm marcado o pontificado de Bento XVI, vincando a “injustiça” no tratamento que lhe é dado, sobretudo na Comunicação Social.


Elias Couto não tem dúvidas que é e continuará a ser um pontificado “de crise”. Este professor leigo enaltece no entanto que apesar da “crise”, o seu papado será feito de “escolhas”. “Servirá para separar as águas e definir o percurso da Igreja neste terceiro milénio”, aponta.

As polémicas são apenas uma espécie de ponta de iceberg da crise que a Igreja vive, em que os católicos “são convidados e seguir uma opção clara por Cristo ou a juntar a sua voz à do mundo e, dessa forma, a separar-se da Igreja”.

As polémicas nestes cinco anos de pontificado passaram por temas como o suposto ataque ao islão, a defesa do casamento apenas entre pessoas do sexo oposto, pelo vincar da posição contrária ao uso do preservativo e mais recentemente pela tentativa de responsabilizar Bento XVI nos casos de prática de pedofilia por diversos membros da Igreja.

Esta última será, de resto, a mais feroz, mas Elias Couto diz que “desde 2001, Ratzinger é o maior defensor da luta contra os casos de pedofilia na Igreja, algo que lhe valeu forte oposição no interior da cúria romana”. Aliás, nos dias que antecederam a morte do seu antecessor, João Paulo II, foi o então Cardeal Ratzinger, quem presidiu à via sacra no Coliseu de Roma e, na nona estação, Ratzinzer apontou que “celebramos Cristo, sem pensarmos nele, sem fé, com palavras vazias”. “Vincou que era preciso limpar a sujeira que há na Igreja e sobretudo no meio sacerdotal. Usou palavras terríveis”, apontou Elias Couto, perante os conselheiros avenses, “palavras de quem não esperava vir a ser Papa”.

Este professor lembrou mesmo que entre os apontados como “papabile”, nunca figurou o nome de Ratzinger. O seu nome começou a ganhar preponderância no conclave, quando os bispos se viram perante a “necessidade de escolher um sucessor de uma figura tão marcante como foi João Paulo II. Perante problemas tão sérios como a Igreja enfrenta pensou-se que o homem que aguentaria melhor, com as costas mais largas para suceder a um gigante, seria o seu número dois, Joseph Ratzinger”, contextualizou Elias Couto.

Há na Igreja diversas correntes, desde progressista a conservadora e a figura e postura de Bento XVI não agrada, pois “sempre falou em continuidade e mostou-se avesso a rupturas, daí o modo agreste como as suas ideias têm sido vistas também pela imprensa”.
Perante valores da Igreja “inegociáveis” (como a defesa da vida humana desde a concepção até à morte; do casamento apenas erntre pessoas de sexo oposto; do direito à liberdade; e dos pais educarem os filhos de acordo com as suas convicções) acentuam-se “as dissidências”, pois não será possível estar dentro da Igreja a não ser de corpo inteiro.

Para Elias Couto, o pontificado de Bento XVI, ao contrário de muitas expectativas, “será marcante”, pois vai aprofundar o trabalho iniciado por João Paulo II, ao apostar na desclericalização da Igreja, ao vincar a importância laical e a aposta na Juventude. Com isto, o professor da UCP antecipa que “as polémicas não vão diminuir”.

O professor atesta que o Papa “tem sido um bom guardião da cátedra de Pedro” e que os cristãos têm “mais razões para o amor, pois Bento XVI apenas afastou os que temem a verdade”.

Perante esta apresentação, inúmeros conselheiros vincaram o desconhecimento generalizado em torno da pessoa de Bento XVI, ao que Elias Couto evidenciou haver, “sem dúvidas, uma necessidade de passar para fora, a riqueza do pensamento deste homem”.

“Felizmente Bento XVI tem as costas largas”, atestou, pelo que Elias Couto acredita que “temos o Papa de que necessitamos”. Também avisou que “vamos ser claramente uma minoria, aliás, já somos”.

“Isso não quer dizer que nos devemos fechar ao mundo, temos de nos integrar na sociedade com naturalidade e afirmar as nossas convicções. Temos de deixar de ser consumidores religiosos, mas crentes activos, conscientes e com uma fé esclarecida”, aconselhou este professor.

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