Não se trata de um nome fictício, pois Estela João é aquela pessoa que eu referi no artigo “Seminaristas comemoram o centenário do ex-seminarista”, publicado no Diário do Minho de quatro de Setembro de 1990, e concernente ao passeio de oito ciclistas que pedalaram de Vila das Aves até Vila Real em cuja Universidade a nossa paroquiana Estela João tinha concluído brilhantemente, nesse mesmo ano, a sua licenciatura em Biologia e Geologia.

Hoje a Estela João é professora de Biologia/Geologia e Área de Projecto na Escola Secundária de Vila das Aves, está casada catolicamente com Jorge Manuel desde o dia 25 de Abril de 1992, pais de André João (15 anos) e de Rafael João (10 anos); ela, como já passou as “passas do Algarve” em questões de saúde, podia não continuar sensível à pastoral paroquial; mas resolveu telefonar-me no sábado, dia vinte de Março de 2010, precisamente quando faltavam dez minutos para eu celebrar a Eucaristia vespertina na nossa Igreja Matriz.

Ela queria que a nossa paróquia recebesse o benefício da consignação de 0,5% do seu IRS. Ora eu, que nunca tinha falado aos paroquianos deste assunto melindroso (a julgar pelo tabu alimentado por este ou aquele iluminado), tive de lhe dizer que a Conferência Episcopal Portuguesa, contrariando a lei fiscal, não permite (à luz do artigo 27 da Concordata) que as paróquias possam aderir a este sistema de percepção de receitas fiscais, mas somente às Instituições Particulares de Solidariedade Social sob a sua jurisdição. Como na Vila das Aves as associações rondam a vintena, certamente a Estela João encontrou facilmente a solução.

Para mim, não está em jogo o montante deveras insignificante de tal receita para o Fundo Paroquial, nem está em jogo a dificuldade dos latinos aceitarem um imposto concordatário, como referiu António José da Silva no “Solidariedade” de Janeiro p.p.; para mim o mais importante é como viabilizar a exequibilidade desta afirmação dimanada da reunião plenária do Conselho Presbiteral da Arquidiocese de Braga, realizada em dezasseis de Novembro de 2009: “transferir actividades dos Párocos para leigos contratados”; é que a missão real da Igreja é envolvente de duas vertentes laical e clerical a nível paroquial; sobre isto já me referi no artigo de Dezembro de 2009, publicado na Net. Mas como o Senhor Arcebispo Primaz de Braga e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, Dom Jorge Ortiga, esteve a falar ao clero famalicense na quarta-feira, dia seis de Janeiro de 2010, sobre o benefício da consignação de 0,5% do IRS, perguntei-lhe publicamente: como é possível a uma paróquia equilibrar as suas contas tendo despesas certas e receitas incertas?

Perante a resposta de “continuarmos a procurar soluções, tradicionais ou mais originais”, lembrei-me da tão ousada e badalada iniciativa do Pároco de Campo, do Arciprestado de Barcelos, e de Dom Manuel Vieira de Matos que há 88 anos determinou os “Usos e Costumes”, conforme aqui vão publicados para eventual tese de doutoramento.

Também registo que eu, aos 62 anos de idade, e como Presidente do Conselho da Fábrica da Igreja Paroquial de São Miguel das Aves terei de sujeitar-me à nova lei do sistema contributivo da Segurança Social nº 110/2009, calculando e pagando os meus descontos, pois a Diocese deixará de ser a entidade patronal. Pergunto: este assunto (bem como os posteriores ao berbicacho da Concordata assinada em 18 de Maio de 2004), não merecerá mais diálogo e formação permanente do que a exposição seca e fugidia do Senhor Dr. Mário Paulo (dos Serviços Centrais da Arquidiocese de Braga) aos membros dos Conselhos Económicos do Arciprestado de Vila Nova de Famalicão, reunidos em Landim na tarde de domingo, dia dezassete de Janeiro p.p.?

Estela João, quero voltar ao desafio aqui epigrafado; tenta acreditar como eu vou tentando acreditar na estratégia e não em algumas tácticas; ou seja, os Senhores Bispos estrategicamente e até profeticamente vislumbrarão objectivos finais para o bem da Igreja; devemos, pois, acreditar. Mas o procedimento, para se contornar as dificuldades com tácticas conjunturais, não tem sido merecedor da tão necessária adesão das “bases” laicais e presbiterais. Vejamos o agendamento da recente táctica de uma sessão nas Jornadas de Direiro Canónico, organizadas em Fátima pela Universidade Católica Portuguesa, concretamente no passado dia 23 de Abril: “remuneração e sustentação do clero”!

Estela João, para que a “Palavra tome conta de nós”, tenta acreditar que a estratégia revelada por Deus a Moisés foi o Seu Povo chegar à Terra Prometida; mas, a última táctica adoptada para lá chegar já não foi cumprida por Moisés, mas sim pelo seu sucessor Josué!

Para remissão dos meus pecados, afirmo que o “quase-Pároco ou quem legalmente o substituir” na presidência do Conselho da Fábrica da Igreja/Conselho Económico Paroquial diligenciará mais e melhor pela conveniente administração dos bens da paróquia, certamente obtendo o benefício da consignação deste ou de outro imposto fiscal.

Bem-haja, Estela João!
Vila das Aves, 04 de Maio de 2010-1ª terça-feira do mês.
Padre Fernando de Azevedo Abreu.

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