Quis o meu sucessor na paroquialidade de Lousado, o meu caro amigo Padre Eusébio Baptista, dizer-me: eu vi-te na net! Igualmente ouvi o I Bispo de Setúbal, o Emérito Dom Manuel Martins, dizer-me: o Senhor foi visto no Congresso!

Realmente a foto nº1 que ilustra este texto veio publicada no Diário do Minho de quinta-feira, dia catorze de Janeiro de 2010, e nela se mostra o ambiente da oração de Laudes que os trezentos Congressistas tiveram, com apoio de maravilhosa brochura a todos distribuída; curiosamente estou sentado à direita do jovem congressista revestido de cor branca, chamado João Paulo Brito Costa que presentemente é Diácono a estagiar junto do nosso Arcipreste de Vila Nova de Famalicão, o Padre Dr. Mário Rodrigues, que está à sua esquerda.
Este Congresso Internacional “À Escuta da Palavra” decorreu no Auditório Vita, sito no Seminário de Nossa Senhora da Conceição, em Braga, nos dias 12 a 15 de Janeiro deste ano de 2010, e versou sobre o Presbítero porque está a decorrer a nível mundial o Ano Sacerdotal sob o patrocínio do Santo Cura de Ars, Padre João Maria Vianney.
Eis alguns pormenores que livremente desejo registar sobre o que ouvi dos Conferencistas.
Primeiro. Dom Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa, com 56 anos de idade, falou durante cinquenta e três minutos das “Imagens do Presbítero na história recente”; tendo-se referido seis vezes ao II Concílio do Vaticano, revelou que no primeiro Congresso do Clero, realizado em Braga em 25/10/1905, participaram setecentos congressistas, representantes de cento e sessenta e quatro arciprestados do país! Sobre o perfil presbiteral apresentou exemplos de perspectivas infantis, de considerações abstractas ou emotivas, de formação espiritual, intelectual e social. Interpelado sobre a imagem futura do Presbítero, disse que “quando for Bispo a sério” terá de pensar muito sobre o perfil presbiteral que somente pode ser desenhado pela vivência do presbitério local; o Presbítero terá de ser mais missionário e muito mais dedicado à formação dos leigos.
Segundo. Dom António Couto, Bispo Auxiliar de Braga, com 57 anos de idade, falou durante sessenta minutos sobre os “Fundamentos escriturísticos do ministério ordenado”; ao referir-se à homilia/sermão em Hebreus 2,17 afirmou ser a primeira vez no Novo Testamento que Jesus é chamado “Sacerdote ou Sumo Sacerdote”, sem Ele nunca ter exercido funções sacerdotais; mas Jesus, perante o descrédito do pontificado no I século, é apresentado inesperadamente e espantosamente como “Caminho novo e vivo” na relação com Deus e com o povo sofredor.
No momento do diálogo perguntei: se Jesus era da tribo de Judá e portanto não era de descendência sacerdotal, como explica a citação salmódica (109/110,4) que o Conferente ensanduichou com Daniel (7,3), e que hoje mesmo constitui o refrão do Salmo Responsorial da Liturgia da Palavra publicada no Leccionário Santoral para a memória de Santo Hilário, bispo e doutor da Igreja: “Tu és Sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedec”. Claríssima foi a resposta: Melquisedec tornou-se uma figura emblemática e paradigmática no pensamento bíblico a ponto do Salmista e da Epístola aos Hebreus fazer deste Rei de Salém e misterioso Sacerdote uma chave messiânica.
Terceiro. O Padre e teólogo Gisbert, Professor Doutor na Universidade Alemã de Freiburg, com 76 anos de idade, falou durante 49 minutos sobre “Ser Padre numa Igreja em transformação” e foi peremptório nesta afirmação: em toda a Europa a Igreja já é minoria social! E perguntou: que oportunidades tem esta Igreja minoritária? Deu estas três respostas: experiência de deserto, nova relação com o mundo e mais proximidade ao Evangelho. Ele que vive em comunidade presbiteral há vinte anos, disse que na diocese de Munster existem oito ou nove experiências em Vita Communis e que numa diocese alemã já foram vendidas quarenta Igrejas e extintas cento e cinquenta e sete paróquias! E ousou afirmar: muitas coisas pastorais que são feitas parecem truques para alguém acreditar, mas na verdade só mostram incredulidade! Ao recordar o seu tempo de criança após a segunda guerra mundial, testemunhou: para ir de sua casa à Igreja precisava de uma hora, e mais outra para o regresso; mas, quem não vive as consequências do seu Amen ao Corpo de Cristo que é a Igreja, vive em perversidade. O presbiterado tem o seu cerne em ser sacramento, ou seja: ser sinal visível da realidade de Jesus Cristo que é o único fundamento da comunidade.
Quarto. O dominicano e francês Mons. Jean-Louis, que há dois anos é Secretário da Congregação Romana para a Educação Católica, tem 66 anos de idade e não falou do tema programado sobre a fidelidade, mas sim de “Alguns desafios a sublinhar neste Ano Sacerdotal”. Durante quarenta minutos seguiu a lógica desta premissa: Se não se ama a Igreja, não se confia nela! É verdade que na nossa Igreja encontrámos páginas pouco ou nada luminosas, mas não nos devemos flagelar, mas sim descobrir caminhos amorosos. E solenemente concluiu: os presbíteros são filhos predilectos da Igreja que precisam de cultura geral conforme o tempo presente e de formação permanente.
Quinta. João Duque, com 45 anos de idade e pai de três filhos, é Professor Doutor na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa e também Director Adjunto para o Núcleo de Braga. A sua conferência sobre “A face mutante do presbítero” demorou 47 minutos e faz parte de um trabalho conjunto de cinco pessoas que se debruçaram sobre estes tópicos:
Partindo da paisagem eclesial e do princípio que “o Pároco desta ou daquela paróquia será cada vez mais uma figura ausente” apontou alguns desafios contemporâneos:
Como congressista devo também registar que todas estas seis conferências foram filmadas pelo jovem avense Ricardo Martins, filho dos nossos paroquianos Alcino e Isilda, residentes no lugar de Lubazim. Quem desejar contactar este operador de filmagem poderá fazê-lo pelo telefone 916969896.
Tendo sido eu congressista, mediante o pagamento de cinquenta euros para a modalidade inscrição e almoços, recebi uma pasta com o logotipo deste Congresso cuja foto nº2 mostra uma tela a vermelho com um corte vertical para significar o bisturi da Palavra que rasga para novos horizontes; ora estas duas palavras sublinhadas foram aplicadas pelo Arcebispo Primaz de Braga, Dom Jorge Ortiga, no último parágrafo da convocatória que enviou aos Presbíteros: “o Ano Sacerdotal é a proclamação de um ano de graça do Senhor, que nos rasgará o horizonte dos ministérios eclesiais na Igreja”.
Vila das Aves, 2/2/2010, primeira terça-feira do mês e Dia dos Consagrados por ser a Festa da Apresentação do Senhor.
Padre Fernando de Azevedo Abreu.
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