As férias do Sacristão


2 de Setembro de 2008 | Pároco

Manuel Ilídio Monteiro da Rocha, sacristão da Igreja Matriz de Vila das Aves, com 66 anos de idade, disse ao seu Pároco e ao seminarista Alexandre que passava as suas férias a pescar na lagoa existente na Praia de Mira.


Como na segunda quinzena de Agosto ele foi gozar tal regalia “sindical”, e as saudades aumentaram com os funerais da Ema, Odete, Maria José e Antónia do Carmo, resolvemos ir até à Praia de Mira que é uma paróquia do concelho de Mira, pertencente à diocese de Coimbra, e que dista da nossa terra cento e cinquenta quilómetros. Partimos às doze horas de quinta-feira, dia vinte e um de Agosto deste ano de dois mil e oito, após termos celebrado o funeral da bem-aventurada Odete. Tivemos de parar em Aveiro, não só para almoçar no “Onda Verde”, mas também para visitar a Sé, reaberta ao culto em 27/7/2008 após quatro meses com obras. A Deolinda Pinto tirou a fotografia nº1 para que o seminarista Alexandre e o seu Pároco mais facilmente se lembrem que esta Igreja de Nossa Senhora da Glória foi declarada Igreja Catedral há setenta anos pelo Papa Pio XI.

Ao entrarmos na “sóbria, digna e bela” Sé de Aveiro experimentámos luz, conforto e bênção e recordámos que no passado dia dezassete (quatro dias antes) ali tinha sido ordenado um presbítero pelo Bispo Dom António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro desde o dia oito de Dezembro de dois mil e seis e que nesta nossa paróquia esteve em amorosa Visita Pastoral no ano anterior, concretamente em vinte e cinco de Setembro. Como íamos na mira da cana de pesca à linha, fomos imediatamente mirados mal estacionámos: olha o Padre Fernando de Vila das Aves! Olha o Alexandre que ainda é meu parente! Tão bem acolhidos, perguntámos pelo sacristão pescador, mas foi-nos dito que era procurar uma agulha no palheiro!

Após as primeiras idas e pesquisas a lugares propícios ao banho da minhoca, desistimos, pois pensámos: ele deve estar em algum café a ver a chegada da sétima etapa da Volta a Portugal em bicicleta ao alto do monte da Senhora da Assunção, em Santo Tirso; em vão entrámos e saímos, para seguirmos novamente a pista da lagoa em cuja margem, após persistente viagem, o sacristão foi fotografado conforme registado na foto de abertura deste texto; verificámos os seus acompanhamentos e nada tinha pescado, como aliás é regra que não lhe tira a boa disposição; o maço de cigarros por dia é “incenso” que não dispensa desde o serviço militar na Guiné, aos vinte e três anos de idade. Enquanto o sacristão foi à “cidade” avisar quem ali tinha chegado, vieram os fiscais pedir a licença de pesca e o seu vizinho da esquerda foi à viatura buscá-la para se inteirar que há licenças e licenças!

Os oito da vida airada peregrinaram até ao Gaúcha e de lá saíram consolados às vinte e uma horas e trinta minutos, com a certificação das férias do sacristão tão bem feita e atestada que até faz lembrar as célebres palavras do sacristão de Meinedo (Lousada), António Pereira da Silva que faleceu em 21/Maio/1987 com 68 anos de idade, sessenta deles neste serviço ministerial tão importante na pastoral: “nem jogo, nem dou cartas; o padre passa, a Igreja continua”.

Vila das Aves, 01/09/2008, segunda-feira, dia litúrgico de Santa Beatriz da Silva.
Padre Fernando de Azevedo Abreu.

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